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Quem ainda se lembra?

por ciprianoalves, em 11.11.12

Fundação Calouste Gulbenkian




Lembrando os nossos tempos de menino

Fui um dos que, mensalmente no Largo Principal de Cortiçadas de Lavre, em frente à farmácia, fazia fila para levantar entre cinco a dez livros, que à noite devorava, na cama, à luz de um candeeiro a petróleo. Tenho a certeza que o gosto pela leitura, cuja prática nos traz evidentes benefícios para a nossa formação, começou na instrução primária e ao mesmo tempo, como era o meu caso, complementava essa  aprendizagem com a leitura dos livros facultados pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Foi a minha professora, Maria Helena Galvão, que muito admiro, que me incentivou a ler e me informou na altura, da possibilidade dada por esta biblioteca itinerante, que mensalmente visitava a nossa Freguesia, Lavre, pois Cortiçadas só é Freguesia depois do 25 de Abril.

 

Ainda hoje me lembro do número da biblioteca itinerante, nº 32.

 

                                             

 

Vale a pena saber um pouco mais desta Fundação!

 

O Serviço de Bibliotecas Itinerantes (SBI) foi criado pela Fundação Calouste Gulbenkian em 1958. Tinha como objectivos “promover e desenvolver o gosto pela leitura e elevar o nível cultural dos cidadãos, assentando a sua prática no princípio do livre acesso às estantes, empréstimo domiciliário e gratuitidade do serviço.” O público a quem o serviço se dirigia era principalmente o de menor acesso à educação e cultura, habitando nas regiões mais desfavorecidas e estendendo-se a todas as faixas etárias. Todavia seria entre público mais jovem que teria melhor acolhimento.

Das 15 bibliotecas em circulação em 1958 passou-se para 47, todas elas de marca Citroen, em 1961. Este serviço foi extinto em 2002.

 

Quem foi Calouste Gulbenkian?

 

Calouste Sarkis Gulbenkian era um generoso filantropo. Preocupou-se em ajudar os menos favorecidos, a principiar pelas Comunidades Arménias. Prosseguindo na tradição dos seus antepassados, pelo menos desde há dois séculos, Calouste Gulbenkian dedicou uma atenção especial a Jerusalém, a cidade santa, tendo legado ao seu museu a maioria das obras de arte Arménias da sua colecção. Muito devoto à sua Igreja fez construir em Londres a Igreja St. Sarkis dedicada à memória dos seus pais, cujo jazigo se encontra em Istambul no hospital S. Pirgiç (São Salvador). Este hospital Arménio, criado em 1830, beneficiou, desde a sua origem, da grande generosidade da família Gulbenkian. Após a morte de Calouste, a Fundação, com o seu nome, continuou a assumir esse apoio.

 

Em 1930, com a morte de Boghos Pacha Nubar, fundador da União Geral Arménia de Beneficência, a única organização Arménia que presta assistência a todos os Arménios, Calouste Gulbenkian que nutria grande admiração pelo fundador assumiu a direcção dessa organização filantrópica. No entanto, devido aos entraves que diversas pressões políticas levantaram ao seu trabalho, demitiu-se dois anos mais tarde.

No seu testamento (1953) deixou bem expresso o seu carácter de filantropo ao legar boa parte da sua fortuna à fundação que quis instituir.

 

Os fins estatutários da Fundação Calouste Gulbenkian – uma das doze maiores fundações do mundo – são caritativos, artísticos, educativos e científicos.

 

Como em tudo na vida, é preciso sorte. E Portugal teve sorte. Talvez a melhor coisa que aconteceu ao nosso país, no seguimento da Segunda Guerra Mundial, foi a vinda e radicação de Calouste Gulbenkian em Lisboa. Gente não antipática, baixos impostos, um clima mais propício à sua bronquite e um erro dos ingleses que se lhe opuseram devido a acusações de colaboracionismo, levaram a que Gulbenkian se tenha instalado no nosso país.

 

A sua história é por demais conhecida: descendente de uma família Arménia influente, tornou-se um magnata do petróleo, o senhor cinco por cento, de grande influência na Europa. Decidido a radicar-se nos Estados Unidos, sentindo que a sua fortuna poderia estar em risco após dificuldades levantadas pelos britânicos no pós-guerra, Gulbenkian, de passagem por Lisboa, acabou por fazer dela a sua morada final.

Há uns tempos, se não me falha a memória, publicou Maria Filomena Mónica no Público, um extenso artigo sobre a vida do filantropo. Fiquei a saber que Calouste Gulbenkian não era pessoa fácil. Terá proibido a sua mulher de doar dinheiro à comunidade arménia que fosse usado de forma meramente caritativa, e não produtiva. Nós os portugueses, tivemos também sorte, quando, ao inspeccionar as contas, em detalhe, dos seus negócios, descobriu que o filho cobrou à empresa do pai (onde estava empregado sem salário) um almoço mais ostensivo que as vontades do pai permitiam — e o comeu à sua secretária. Este recusou-se a pagar, sendo que o filho mais tarde o processou, tendo tudo isso contribuído para que Calouste Gulbenkian deixasse o grosso da sua fortuna à Fundação.

 

Apesar do nome ser familiar, não sei se Calouste Gulbenkian é, para nós portugueses, um querido morto. Para mim significa formidáveis exposições, um lindo jardim, Laliques fabulosos, horas e horas de música sinfónica e extraordinárias conferências. Tudo isto simbolizado pelo senhor, sentado em frente a Hórus, o falcão, ali à entrada de Lisboa. E Gulbenkian simboliza ainda milhares de bolsas que permitiram enriquecer-nos de cultura e ciência, de sabedoria. Poucos terão feito, no nosso país, pelo conhecimento e pela cultura o que Gulbenkian, por mera casualidade duma paragem, fez por Portugal.

 

Claro, não seria justo fazer esta homenagem sem relevar os homens e mulheres que fazem da Fundação Calouste Gulbenkian o que ela foi, é e será, deixando apenas o nome de José Azeredo Perdigão, que corporizou a instalação da Fundação, ainda antes do 25 de Abril, e que é hoje uma das mais ricas fundações filantrópicas do mundo.

 

Fonte: Fundação Calouste Gulbenkian

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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