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Oliveira, Olival e Azeite. Aprender com os erros!...

por ciprianoalves, em 28.02.13

A oliveira é mais que uma árvore simbólica. A sua existência apresenta-nos também um cunho totalmente positivo. 

A ela estão associados os aspectos de paz, fecundidade, vitória, sabedoria, abundância, glória, purificação, força e recompensa. Isso entre inúmeros povos e culturas, desde a antiguidade até os dias actuais. É até mesmo considerada como árvore sagrada para os Islâmicos. A cultura da oliveira e a produção do azeite, confundem-se com diversas teorias, mas as mais interessantes têm origem nos céus, onde os deuses se confundem com o mito.  

        OLIVEIRA,quantos anos terá?        

É a Ísis que os egípcios dão graças pelo dom da árvore sagrada. Casada com Osíris, o deus supremo da mitologia local e nascida numa boa família (o seu pai era Geb, deus da terra e sua mãe era Nut, deusa do céu), era apontada como modelo para as mulheres e mães e conciliava uma predilecção pelos escravos, pobres e oprimidos com uma atenção especial para com aristocratas, ricos e jovens solteiras. Somado a tudo isto, diz-se que tinha jeito para a magia e era padroeira da natureza. Pelos padrões dos anos 60, uma espécie de mulher ideal. 

De entre as suas muitas qualidades, consta-se que terá ensinado aos egípcios a arte de cultivar a oliveira, incluindo a ciência da produção daquele líquido multifacetado e pleno de simbolismo que é o Azeite.

Apanha tradicional da azeitona

Os Gregos, porém, têm outra versão dos acontecimentos. Para eles, a mãe da Oliveira é Atenea. Esta deusa teve uma infância particularmente complicada. A sua mãe Metis, terá atraído o olhar de Zeus. Este deitou-se com ela mas, terminada a paixão arrependeu-se, lembrado da profecia segundo a qual esta teria filhos mais fortes que o progenitor. Perante tal alternativa tomou a opção mais sensata e engoliu Metis por inteiro, esperando assim ter acabado com qualquer perigo de concorrência futura. Mas era tarde de mais, Metis já havia concebido e meses mais tarde foi com alguma surpresa e desconforto que Zeus viu Atenea nascer-lhe da testa, ainda por cima vestida e armada.

 

AZEITONA

Anos mais tarde, como qualquer deus que se preze, Atenea procurou um reino para apadrinhar. Tentou a sua sorte com uma das poucas cidades que ainda não tinha nome, mas viu-se na difícil posição de concorrer com o deus do mar Poseidon. Reconhecendo uma oportunidade de lucro, os cidadãos desafiaram os deuses a dar-lhes um presente. O melhor seria retribuído com a fidelidade dos cidadãos.

Poseidon não se fez rogado e imediatamente fez brotar água da terra. Era um bom presente e deu aos homens os meios para se virem a tornar um povo de conquistas marítimas, mas chumbou uma importante prova, a água era salgada e imprópria para beber. 

Alertada para o factor gastronómico, Atenea ofereceu uma oliveira mansa. Esta providenciava lenha, azeitonas e azeite. A cidade ficou rendida e, fielmente, adoptou o nome Atenas em reconhecimento.

Lagar de azeite, antigo

Milhares de anos mais tarde, os padres de Atenas, com as suas longas barbas, vestes negras, e cruzes peitorais, olham de soslaio esse passado pagão, mas mantêm o gosto pelo líquido que lhes conserva as lamparinas acesas, e cultivam com igual amor as oliveiras nos hortos dos seus mosteiros. 

Diz a história que a seguir ao terrível dilúvio, em que Deus destruíu a Sua própria criação, arrependido que estava de ter criado tão funesta criatura, apenas uma família escapou, Noé, sua mulher e seus filhos. Durante 40 dias andaram à deriva sobre as águas, esperando o sinal que indicava a hora de descer e retomar a terra. 

O sinal chega finalmente, no bico de uma pomba. Um ramo de oliveira é a prova de que a terra está de novo habitável. Numa só passagem vemos toda a simbologia atribuída à oliveira ao longo dos milénios. Regeneração e esperança, paz e perdão, fertilidade e vida. O Deus que perdoou os homens e lhes quer dar uma segunda oportunidade fá-lo saber através de um simples ramo de oliveira, entregue na boca de uma pomba.

Começa aqui, segundo a história, uma longa e frutífera relação do povo de Israel com a oliveira, a azeitona e, sobretudo, o azeite. O líquido obtido da azeitona é agradável ao próprio Deus dos Deuses e nas instruções meticulosas que deixa para regular os sacrifícios que lhe são devidos, figura com muita frequência. Ora para untar as bolachas sem fermento, ora para amassar os bolos igualmente não levedados, ou então misturado com incenso, não há holocausto considerado digno do Senhor que não contenha azeite.

 

AZEITE

Fonte:Paponacozinha

A relação de David com o azeite e com as oliveiras é especial. É ele quem constrói para o Senhor um templo em Jerusalém, um local onde o culto se pratica ininterruptamente e para o qual são necessários milhares de litros de azeite, para manter aceso o candelabro, segundo os desejos expressos por Deus. A própria madeira de oliveira é utilizada na construção do templo, nomeadamente nas portas que separam o espaço comum do Santo dos Santos, o local mais sagrado, onde apenas os sacerdotes podiam entrar e onde se guardava, até ao seu desaparecimento, a Arca da Aliança.

Para garantir a produção do azeite, as oliveiras não podem faltar. A árvore ganha por isso uma importância política importante. O seu corte é expressamente proibido, um ministro é designado para cuidar das oliveiras e estas são mantidas sob guarda permanente. Compreende-se, a falta de azeite no templo é impensável.

 

Depois desta pequena viagem pela história retomamos aos dias de hoje!... 

 

Em Portugal a oliveira é uma árvore históricamente familiar. Existe desde tempos muito remotos, de Norte a Sul do País. Actualmente, fruto de aposta neste sector, de grande valor para a nossa economia, os projectos associados a esta cultura, indicam aos olivicultores o caminho a seguir, para fazer face à concorrência exterior, ou seja a modernização. É necessário cumprir as metas de produção nacional, intensificando o cultivo da oliveira, já que a concorrência dos Países Mediterrânicos é feroz, especialmente Espanha, Grécia e Itália. Considerando o clima e o solo favorável que temos, é possível intensificar a produção de azeitona e azeite.

 

OLIVAL

Cultivo intensivo da oliveira

A aposta no olival, apoiada pelo União Europeia, que reconheceu a importância deste sector para a nossa economia, a partir de 1998, levou a que se apostasse no cultivo da oliveira, aposta essa que só no Alentejo se concretizou com a plantação de cerca de 40 000 hectares de olival.

Actualmente somos auto suficientes na produção de azeite, mas a aposta tem de prosseguir...


Lagar de azeite

Os lagares de azeite transformam a matéria prima, azeitona, em azeite. É comum os produtores de azeitona receberem uma percentagem em azeite, aquando da entrega da azeitona em bruto. Essa percentagem é calculada de modo a que o processo de preparação da azeitona, para a sua posterior transformação seja suportada, por quem entrega a matéria prima.

LAGAR DE AZEITE MODERNO

 

AZEITE, em vários tipos de embalagens, pronto para venda
AS AZEITONAS SÃO CONSIDERADAS ALIMENTO SAUDÁVEL

As azeitonas são o fruto da Oliveira, ou Olea Europaea. “Olea” é a palavra latina para “petróleo”, reflectindo o alto teor de gordura das azeitonas, das quais 75% é ácido oleico, uma gordura monoinsaturada que consegue baixar os níveis de colesterol no sangue. “Europaea” lembra-nos que as azeitonas são nativas da zona mediterrânica da Europa.

As azeitonas não podem ser comidas directamente a partir da árvore, visto ser necessário um tratamento especial para reduzir a sua amargura natural. Estes métodos de tratamento variam de acordo com a zona de cultivo, o sabor desejado, textura ou mesmo a cor a ser obtida.

Algumas azeitonas são colhidas ainda verdes, enquanto que outras amadurecem plenamente na árvore até atingirem uma cor negra. Contudo, nem todas as azeitonas pretas que consumimos amadureceram na árvore, visto a exposição de azeitonas verdes ao ar, através de métodos específicos, e a consequente oxidação transformarem a cor verde para preta.  

Azeitona retalhada,

uma das formas de tornar o seu sabor mais agradável


Para além da cor original da azeitona determinar as suas características finais, a cor é afectada por uma variedade de métodos de transformação a que as azeitonas são submetidas, incluindo fermentação, serem curadas em óleo ou água ou salmoura. Estes métodos podem causar não só que a azeitona adquira uma cor preta, marrom, vermelha ou mesmo amarela, como também afectam a textura da pele, causando-a lisa e brilhante ou enrugada.

 

VARIEDADES DE AZEITE

O azeite está disponível numa grande variedade de qualidades que reflectem o grau a que a azeitona foi processada.

 

- O azeite extra-virgem é obtido a partir do óleo não refinado da primeira prensagem.

 

- O azeite virgem também é derivado da primeira prensagem, mas tem um maior nível de acidez que o extra-virgem (bem como menos fitonutrientes e um sabor menos delicado). Quimicamente, a diferença entre o azeite extra-virgem e o azeite virgem está relacionada com a quantidade de ácido oleico livre, um dos marcadores para a acidez total. De acordo com as normas aprovadas pelo Conselho Oleícola Internacional, “virgem” pode conter até 2% de ácido oleico livre, enquanto que o “extra-virgem” pode conter até 0,8%.

 

- O azeite puro tem uma menor qualidade e é obtido a partir de prensagens posteriores.

 

 

Nota: Algumas imagens e dados foram retiradas da Internet



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publicado às 17:15




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