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ciprianoalves

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GRANDE RIQUEZA DA NOSSA FREGUESIA

OS MONTADOS

Uma das grandes riquezas florestais do nosso país é constituída pelos montados, ou sejam os povoamentos de azinheiras, de sobreiros e de carvalhos que cobrem uma superfície de 790.000 hectares, dos quais pertencem 380.000 às primeiras, 340.000 aos segundos e 70.000 aos últimos.

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Alentejo, montado de sobro

Foto: agronegocios

Se os pinheiros são de todo o País e os castanheiros são mais da sua metade norte, os montados, principalmente os de azinho e sobro, que são os mais importantes, abundam especialmente na sua parte sul.

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Bolota, fruto do sobreiro, muito utilizado na alimentação animal e não só

Foto: agrozapp

Os montados de azinheiras e sobreiros cobrem quase completamente todo o País ao sul do Tejo até às serras do Algarve, e ainda parte dos distritos de Castelo Branco e Guarda, e são uma das maiores riquezas dos lavradores pela produção de bolota, que desempenha um importante papel na engorda de grandes varas* de porcos, dando um sabor esquisito à sua carne; pela enorme produção de lenha e carvão; e ainda pela casca do sobreiro, a cortiça, que é uma das maiores forças de receita do nosso país e serve de matéria-prima a uma das mais ricas indústrias de Portugal.

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Sobreiro de grande porte em Cortiçadas de Lavre

A cortiça portuguesa é preferida nos mercados estrangeiros, onde tem atingido elevadíssimos preços, pois é superior em qualidade à que exportam a Espanha e a Argélia, únicas regiões no Mundo, além de Portugal, onde ela se cria.

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Transporte de cortiça, em 1950 era assim...

Foto: Artur Pastor

Aos sobreiros só de nove em nove anos se extrai a cortiça, gastando todo esse tempo na sua criação.

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A arte de empilhar cortiça na década de 50

Foto: Artur Pastor

A tirada da cortiça, que se realiza apenas nos meses de Maio, Junho e Julho, é um dos trabalhos mais típicos e curiosos dos nossos campos, tendo servido de tema a pintores e escritores para reproduzirem em tela ou descreverem em livros essas cenas tão cheias de pitoresco.

  Sobreiro após a extracção da cortiça

A cortiça, pelas inúmeras operações que sofre, desde a tirada da árvore até à sua exportação, quer em prancha, quer transformada em rolhas, quer moída em aglomerados ou desfeita em pó para a fabricação de corticite ou para a embalagem* e conserva de frutas frescas, emprega um     grande numero de braços, sendo origem de uma das maiores actividades do País.

                                                               

Tirador de cortiça em am acção

Na nossa Freguesia a extracção da cortiça, nos meses de Verão, ocupa um número significativo de pessoas, principalmente homens, que neste trabalho sazonal, conseguem equilibrar o seu orçamento familiar, já que é um trabalho relativamente bem pago. Este trabalho, segundo constato é realizado hoje, em ambiente bastante diferente do que o que existia há cerca de trinta, quarenta anos atrás, principalmente no que diz respeito aos detalhes técnicos e à segurança. Estas duas questões, fundamentalmente por razões económicas, são hoje renegadas para segundo plano.

Após a extracção, no casco do sobreiro é inscrito com tinta branca o ano em que a mesma ocorreu de modo que a gestão do montado, em termos de cortiça seja feita de forma segura.

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Gestão do montado obriga a inscrever a data, ano,  da extracção da cortiça 

Este trabalho, nos tempos em que o acompanhei era realizado sempre num ambiente de grande alegria, onde se misturavam os gritos de perigo, quando as pranchas caíam do cimo das árvores, as nedotas e as canções populares.

Quando acabava a tirada da cortiça terminava era hábito, o propriétario oferecer uma festa onde nada faltava, para comer e beber, a chamada "Adiafa".

As azinheiras e os sobreiros gostam de terrenos ásperos, calcinados, e o seu porte é majestoso e severo.

De um verde-escuro, um tanto triste mas perdurável, parecem feitos para cantar um céu mais azul e um sol mais quente, com uma terra mais dilatada. Por isso os montados imprimem às vastas planícies alentejanas aquele aspecto grave e austero que se respira no ar, que se nota na terra e que caracteriza a gente.

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 Assobiador

Foto: vortexmag

O assobiador, o mais velho sobreiro do mundo, com 240 anos situa-se em Águas de Moura. A media de vida de um sobreiro são cerca de 200 anos

 

VOCABULÁRIO

Montados: Campos de azinheiras, carvalhos e sobreiros.

Varas: manadas (quando são de porcos).

Típicos: característicos; que têm um tipo próprio

Embalagem: empacotamento; enfardamento.

Calcinados: queimados pelo Sol.